Consultores alertam que o mais importante é definir o perfil do negócio e evitar decisões sem bom planejamento financeiro e de marketing
Montar uma loja de rua ou num shopping center?
Essa pergunta, feita por muitos empreendedores dispostos a abrir ou expandir um pequeno varejo, só pode ser respondida depois de se definir o perfil do negócio e avaliar, em profundidade, prós e contras de cada situação.
Pelas estimativas da Alshop, que representa os lojistas de shoppings, existem no país perto de 78 mil estabelecimentos nesses centros de compras. Nas ruas, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo, somente na capital são mais de 100 mil lojas em vários segmentos, a grande maioria de micro e pequeno porte.
Oferta e procura
"A oferta de espaços em shoppings é crescente, mas muito menor que no varejo de rua, o que torna esses centros seletivos. Ainda assim, nossa primeira orientação é que a pessoa não tenha preconceito, e analise todas as alternativas", diz Wlamir Bello, consultor de marketing do Sebrae-SP.
Um erro muito comum, segundo ele, é se descartar, de cara, o shopping, com o argumento de que o aluguel e os custos de manutenção são muito elevados. "Os custos no shopping, realmente mais altos, são apenas um dos componentes a avaliar. Poderá ficar mais pesado para o empresário pagar um aluguel menor em loja de rua, se ela não tiver o movimento de pessoas que ele necessita para garantir suas vendas e margem de lucro", destaca.
Planejamento é a chave
Bello ensina que o passo seguinte é colocar no papel os recursos disponíveis para o investimento e capital de giro, e definir o conceito, o perfil da loja que se vai abrir: Isso significa saber quem é o público-alvo, que produto ou serviço se pretende vender, já que São Paulo tem shoppings e ruas, segmentadas ou não, para todo tipo de público. O lojista precisa ainda de sensibilidade para saber que tipo de movimento terá o seu negócio. "Se ainda estiver experimentando um conceito ou estratégia, se desejar ir mudando junto com o cliente, o mais indicado é a loja de rua, que dá maior flexibilidade de movimentos e, em geral, exige um investimento inicial menor", frisa Bello. "Mas se já tem uma marca ou modelo mais definido, ou o apoio de um franqueador, fica mais fácil e interessante investir no shopping."
Rodolfo de Souza, professor de marketing do Senac-SP, destaca como pontos positivos dos shoppings o fato de serem ambientes voltados para o consumo, com conforto, segurança, lazer e maior facilidade de fidelização dos clientes. Os contras são menor liberdade de expansão e de propaganda individual da loja, e os custos pesados (investimento, aluguel, taxas) que, sem planejamento, podem comprometer os lucros. Na rua, as vantagens são maior flexibilidade (do horário de funcionamento à propaganda e visual da loja) e facilidade de expansão regional.
Cautela com movimento e contrato